Pico do Jaraguá tem a maior média mundial de raios invertidos

Primeiro registro de raio invertido no Brasil, em 2012. O corisco sobe da torre do Pico do Jaraguá às nuvens. Foto: Elat
Primeiro registro de raio invertido no Brasil, em 2012. O
corisco sobe da torre do Pico do Jaraguá às nuvens. Foto: Elat
No bairro Jaraguá alguns raios sobem ao invés de descer. Tal constatação ficou comprovada em 15 de janeiro de 2012 quando cientistas do Grupo de Eletricidade Atmosférica (Elat) do Instituto Nacional de Pesquisas Espaciais (Inpe) filmaram pela primeira vez na história em território nacional, não apenas uma, mas quatro faíscas elétricas que se dissiparam da antena de 130 metros do Pico do Jaraguá (1.135 metros acima do nível do mar) para o alto, durante uma tempestade.

Tal fenômeno, denominado raio ascendente ou invertido, acontece em uma frequência de 1 em cada 100 vezes, sempre a partir de uma torre ou outra estrutura alta. Já os raios descendentes, que descem da nuvem para o solo, ocorrem 99 em cada 100 ocasiões e são, portanto, muito mais comuns.

Enquanto os feixes de luz descendentes são considerados fenômenos naturais, os ascendentes são reputados como fenômenos urbanos, pois se não existissem estruturas elevadas construídas pelos seres humanos eles provavelmente não ocorreriam.

O para-raios na foto anexa (perto do qual uma ave descansa) está instalado na torre mais alta do Pico do Jaraguá. Como a montanha tem 1.135 metros e a torre 130 metros, a ponta do para-raios está a 1.265 metros acima do nível do mar e é o ponto culminante da cidade de São Paulo. Em janeiro de 2012, pesquisadores do Grupo de Eletricidade Atmosférica (Elat) do Instituto Nacional de Pesquisas Espaciais (Inpe) registraram, pela primeira vez na história do Brasil, uma sequência de raios ascendentes (que partem do solo para as nuvens) no referido para-raios, o que você pode ver na foto em detalhe.
O para-raios na foto (perto do qual uma ave descansa)
está instalado na torre mais alta do Pico do Jaraguá.
Como a montanha tem 1.135 metros e a torre 130 metros,
a ponta do para-raios está a 1.265 metros acima do nível
do mar e é o ponto culminante da cidade de São Paulo.
Em janeiro de 2012, pesquisadores do Grupo de Eletricidade
Atmosférica (Elat) do Instituto Nacional de Pesquisas
Espaciais (Inpe) registraram, pela primeira vez na história do
Brasil, uma sequência de raios ascendentes (que partem
do solo para as nuvens) no referido
para-raios, o que você pode ver na foto
em destaque no canto direito.

Como os raios ascendentes não podem ser visualizados com nitidez a olho nu (tudo o que se vê é um clarão esparso) e nem tão pouco podem ser capturados por câmaras tradicionais, os pesquisadores do Elat precisaram utilizar uma máquina especial, um equipamento que custa mais de R$ 200 mil, o qual tem capacidade para registrar 20 mil quadros por segundo e reproduzir tudo em câmera lenta (veja o vídeo).



O Pico do Jaraguá tem a maior média de raios ascendentes dentre os demais lugares do mundo onde são realizadas observações do tipo. Confira:

  • 35 raios ascendentes foram registrados no Pico do Jaraguá entre janeiro e outubro de 2012;

  • 22 a 26 raios ascendentes somente são registrados por ano no Empire State Building, em Nova Iorque, EUA;

  • 5 raios ascendentes apenas foram registrados no decorrer de dois anos em torres de comunicação de Rapid City, Dakota do Sul, EUA.

De janeiro de 2012 a janeiro de 2015, 90 raios ascendentes foram filmados no Pico do Jaraguá. E não é só a quantidade que impressiona, mas também a rapidez entre um feixe e outro. Em uma tempestade ocorrida em março de 2012, por exemplo, 3 raios subiram daquela torre para as nuvens em apenas 7 minutos.

Os pesquisadores do Elat ainda não conseguem entender o motivo pelo qual esse fenômeno ocorre com tanta frequência no Pico do Jaraguá que, por sua vez, também recebe em média três vezes mais raios descendentes do que as demais localidades da cidade de São Paulo.

Mais recentemente, durante uma tempestade de duas horas ocorrida em 20 de outubro de 2016, pesquisadores do Inpe fizeram o primeiro registro de raios ascendentes simultâneos nos picos do Jaraguá e do Papagaio.

Sobre o Autor:
Marinaldo Gomes Pedrosa Marinaldo Gomes Pedrosa é formado em Jornalismo pela UniSant'Anna. Vive no bairro Jaraguá desde 1976.

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