Primeira década do bairro Jaraguá foi marcada por grandes acidentes ferroviários

O Jaraguá originou-se (segundo o senso comum) em 1 de outubro de 1891, data em que a estação de Taipas de trens foi inaugurada. Hoje, portanto, dia em que este post é publicado na internet, o bairro Jaraguá completa 125 anos de história.

Em sua primeira década de existência, ao menos dois acidentes ferroviários de grandes proporções ocorreram no distrito, os quais foram noticiados pelo jornal O Estado de S. Paulo.

O primeiro deles, ocorrido no dia 10 de julho de 1895 envolveu dois trens, sendo um de carga e o outro de passageiros.

De acordo com o relato do referido jornal, o trem de carga com 20 vagões saíra pela manhã do centro da cidade e parara na subida entre as estações de Pirituba e Taipas, pois o aparelho de distribuição de areia não estava funcionando.

O tal aparelho servia para lançar areia nos trilhos, aumentar o atrito e facilitar a subida da composição naquele trecho. Passado o trecho, a locomotiva parara novamente mais à frente por motivos desconhecidos.

Enquanto isso, um trem de passageiros que dera partida do centro da cidade vinha no mesmo trilho. Ele tinha 12 carros, nos quais trazia 368 imigrantes, que iam para diversos locais no interior de São Paulo. Ao encontrar o trem de carga parado perto da estação de Taipas acertou-o em cheio, o que provocou a morte de 15 imigrantes italianos. Leia a matéria completa a seguir (clique para ampliar):


Já no dia 19 de abril de 1898 (aproximadamente 3 anos após o acidente que dizimou a vida de 15 imigrantes italianos na região), um trem que partira da estação da Luz com 1 máquina e 24 carros sendo 4 de bagagens, 1 de animais, 1 do correio, 8 de segunda classe e dez de primeira classe, nos quais trazia cerca de 200 passageiros, colidiu com um boi que estava no trilho nas proximidades do local que hoje conhecemos como Vila Aurora. A composição descarrilhou, o que provocou a morte de 3 pessoas e ferimentos em no mínimo outras 12. Leia a seguir (clique para ampliar):

Além de relatar os dois acidentes, as duas reportagens escritas há mais de um século nos mostram peculiaridades daquela época como o uso do telégrafo como meio de comunicação, a alta quantidade de trabalhadores rurais, o modo de proceder dos médicos e alguns detalhes técnicos daquela estrada de ferro, entre outras coisas.
Sobre o Autor:
Marinaldo Gomes Pedrosa Marinaldo Gomes Pedrosa é formado em Jornalismo pela UniSant'Anna. Vive no bairro Jaraguá desde 1976.

Comentários