O distrito Jaraguá e sua produção cinematográfica

Nunca se leu em lugar algum sobre a produção cinematográfica (criação de filmes para cinema e webdocumentários) do, no e/ou sobre o distrito Jaraguá, mas essa produção existe e tem crescido em número e em estima.

O diretor Carlos Eduardo Magalhães fala sobre seu filme "Ara Pyau: a primavera guarani" (sobre os índios do Jaraguá) durante a Mostra Aurora, em 2018. Imagem: frame de vídeo do Almanaque Virtual
O diretor Carlos Eduardo Magalhães fala sobre seu filme "Ara
Pyau: a primavera guarani" (sobre os índios do Jaraguá)
durante a Mostra Aurora, em 2018.
Imagem: frame de vídeo do Almanaque Virtual
De 1978 até os dias atuais foram produzidos mais de duas dezenas de filmes nesta região.

Leia agora a história fascinante do cinema do distrito.

1978: a primeira obra cinematográfica do distrito Jaraguá teve a Embrafilme como produtora

O primeiro filme já criado em terras jaraguenses foi "O rumo certo para a prosperidade" (1978), um curta-metragem de produção da extinta estatal brasileira produtora e distribuidora de filmes cinematográficos Embrafilme.

O roteiro de "O rumo certo para a prosperidade" foi desenvolvido pelo roteirista e técnico apicultor Nikolaos Argyrios Mitsiotis.
O projeto teve a participação do diretor artístico Edson Cerreti e do diretor de fotografia José Calhado.

A obra conta a história de um vovô (dramatizado pelo suíço Guilherme Wirtz) que dá uma caixa de abelhas como presente para o netinho (o ator mirim Kassandros Mitsiotis, na época com 5 anos de idade).

O roteirista Nikolaos e o ator suíço Wirtz (em foto de 1991). Foto: acervo Nikolaos Argyrios Mitsiotis
O roteirista Nikolaos e o ator suíço Wirtz (em foto de 1991).
Foto: acervo Nikolaos Argyrios Mitsiotis
Em uma das cenas, o vovô manipula as abelhas que coloca na caixa sem equipamentos de proteção como máscara e macacão e explica ao netinho que se elas forem tratadas com conhecimento e amor não ficam agressivas, "naquela época, mostrar abelhas em quintal e mexer com elas na presença de crianças era uma situação fora do comum, pois o povo andava apavorado com as abelhas africanas", conta o roteirista Nikolaos.

A premissa do filme era mostrar que as abelhas mansas poderiam e deveriam ser usadas a serviço da agricultura ao invés das abelhas africanizadas.
O ator mirim, Kassandros Mitsiotis (filho do roteirista Nikolaos). Foto: acervo Nikolaos Argyrios Mitsiotis
O ator mirim, Kassandros Mitsiotis (filho do roteirista Nikolaos).
Foto: acervo Nikolaos Argyrios Mitsiotis
A obra não possui cópias públicas que possam ser visualizadas.

Como a Embrafilme não existe mais, não se sabe onde o filme que a estatal produziu foi arquivado (se é que foi), "acho que o Ministério da Cultura poderá saber, pois foram muitos curta-metragens produzidos naquela década", diz Nikolaos.

Diploma de roteirista de cinema de Nikolaos. Foto: acervo Nikolaos Argyrios Mitsiotis
Diploma de roteirista de cinema de Nikolaos.
Foto: acervo Nikolaos Argyrios Mitsiotis
Nilkolaos formou-se como roteirista de cinema pela Aliança Francesa em 1971. "O rumo certo para a prosperidade" foi lançado em 1978, "ao longo de 5 anos esse filme foi projetado nas salas de cinema do Brasil imediatamente antes da projeção dos filmes longa-metragens", diz o roteirista.

Apaixonado pela Apicultura, Nikolaos fundaria em 1979 a Associação Paulista de Apicultores Criadores de Abelhas Melíficas Europeias (APACAME) e no ano de 1983 lançaria a revista "O reino mágico das abelhas" pela Editora Três, que vendera mais de 200 mil exemplares nos anos seguintes.

Anos 1980: a Embrafilme produz "O incrível senhor Blois"

Nos anos 1980, "O incrível senhor Blois" (1984) produzido pela Embrafilme e dirigido pelo ex-professor de Cinema da Unicamp, Nuno César Abreu (1948-2016), se tornaria um dos mais premiados filme já criados no periférico distrito Jaraguá.
Em apenas 12 min, esse curta-metragem retrata nuances da vida do artista miniaturista Oscar Blois (1919-1992), que viveu no Jaraguá por mais de 40 anos até a sua morte, em 1992.
  • Acesse (no final deste artigo) uma lista com links para os filmes citados ao longo deste post e assista a maioria deles na íntegra.
"O incrível senhor Blois" ganhou prêmios de "melhor filme", "melhor diretor", "melhor montagem", "melhor trilha sonora" e "melhor técnico de som" no "Festival de Brasília do Cinema Brasileiro 1984".

Em 1985, o documentário chegou a ser exibido no Festival de Cinema de Berlim.

Dentre os filmes produzidos no distrito desde então, nenhum superou a obra de Abreu em número e em relevância de premiações.

O diretor Nuno César Abreu (à direita) contracena em seu próprio documentário com o artista Oscar Blois (à esquerda). Imagem: frame de "O incrível senhor Blois"
O diretor Nuno César Abreu (à direita) contracena em seu próprio
documentário com o artista Oscar Blois (à esquerda).
Imagem: frame de "O incrível senhor Blois"
Durante muito tempo pareceu que "O incrível senhor Blois" seria o último filme a ser criado na região.

Só 24 anos mais tarde é que o Jaraguá voltaria às telas.

2008: a produção cinematográfica do Jaraguá ressurge

"Bairro dormitório" é um dos apelidos dados ao distrito Jaraguá nos anos 1990 e início dos anos 2000, o que gerava na mente das pessoas a sensação de que aqui só se dormia, mais nada.

O rótulo "bairro dormitório" nos reduzia ao "nada cultural", pois a cultura só existe quando estamos bem despertos, com os sentidos bem aguçados, maieuticamente ativos, fraternalmente integrados.

E nesse cenário, ao longo de mais de duas décadas, a produção cinematográfica daqui ficou assim, como se dizia de seus habitantes, em sonolência.

Mas em 2008, eis que ela acorda.

Naquele ano, a Prefeitura Municipal de São Paulo por intermédio da Secretaria Municipal de Cultura em parceria com a TV Cultura patrocinou o projeto "História dos bairros", que visava a produção de filmes sobre os bairros paulistanos.

Cena de "Jaraguá: terra sem mal"
Cena de "Jaraguá: terra sem mal"
No escopo desse projeto foi produzido o documentário "Jaraguá: terra sem mal" (2008), dirigido por Nelma Salomão e Rodrigo Gontijo, que aborda questões sociais e culturais do bairro, além de retratar um pouco da vida em algumas aldeias guaranis sediadas aos pés do Pico do Jaraguá.

O Edital nº 003/2007 do projeto "História dos bairros" prometia conceder R$ 100.000,00 (cem mil reais) para a produção de cada filme, assim, "Jaraguá: terra sem mal" pode ter sido aquele com o maior orçamento já feito por aqui.

Anos 2010: o distrito Jaraguá nos webdocumentários

O avanço e convergência das tecnologias de comunicação e produção audiovisual para a internet fez com que surgissem os chamados "webdocumentários" hoje estudados em instituições de ensino renomadas como a Cásper Líbero, por exemplo.

O Jaraguá estreou na era dos webdocumentários com "Aldeia guarani em São Paulo" (2010), produzido pela TV Piá na Web, no qual duas crianças que atuam como jornalistas mirins fazem uma reportagem sobre as crianças guaranis do distrito.

Dois anos adiante, a Black Mídia produziria o "Trilha Parque Estadual Jaraguá" (2012), com apresentação da repórter Priscila Ramires, para ser exibido no programa City Tour da TV Uniesp, que possui um canal no YouTube.

A repórter Priscila Ramires apresenta as trilhas do Parque Estadual Jaraguá. Imagem: TV Uniesp
A repórter Priscila Ramires apresenta as trilhas do
Parque Estadual Jaraguá.
Imagem: TV Uniesp
Assim, no início da década de 2010, a produção cinematográfica do, no e/ou sobre o distrito Jaraguá começaria a se expandir com filmes de baixo custo, a maioria feitos para distribuição e visualização na web.

A escalada dos filmes e webdocumentários na Terra Indígena Jaraguá

A partir de 2012, com a publicação dos webdocumentários "Jandira: cacique Guarani" (2012), "Crianças contam as aldeias" (2012) e "Essência nhandebarete" (2012) produzidos respectivamente por Voz do Brasil, Fábio Alves Design and Solutions e Coletivo Essência, a Terra Indígena (TI) Jaraguá começaria a se sobressair no que diz repeito a geração de filmes no distrito.

Já em 2014, o Coletivo Revira-Lata lança "Guarani resiste" (2014).

Na sequência, três trabalhos originados em instituições de ensino superior são publicados.

O primeiro deles, chamado "Nhandereko: pelo direito à terra" (2014) foi produzido por Alexandre Maciel como Trabalho de Conclusão de Curso (TCC) para a Faculdade de Filosofia, Comunicação, Letras e Artes da Pontifícia Universidade Católica de São Paulo.

O segundo, intitulado "Tekoa Pyau: o guarani urbano" (2014) foi criado por sete alunos de Jornalismo da Universidade Anhembi Morumbi orientados por Eliane Basso.

O terceiro, "Atrás da pedra: resistência tekoa guarani" (2015) fora uma produção de Thiago Carvalho, Guilherme Queiroz e Taís Oliveira originalmente apresentado como TCC para o curso de Jornalismo da Universidade Paulista. Este filme tem sido selecionado para exibição em várias mostras de cinema no Brasil. Em 2018, recebeu um troféu de finalista no Festival Cine Memória, em Belo Horizonte/MG.

Cena de "Atrás da pedra: resistência tekoa guarani"
Cena de "Atrás da pedra: resistência tekoa guarani"
Em 2015 era publicado "O Jaraguá é guarani: contra a reintegração de posse na aldeia Itakupe" (2015) produzido pela Comissão Guarani Yvyrupa.

Anos mais tarde, o lema "O Jaraguá é guarani" se tornaria um mantra nas manifestações indígenas contra a Portaria nº 683 que anulava 99% das terras indígenas do Jaraguá.

Ainda em 2015, o Ação Direta de Vídeo Popular lançava "Tekoa Itakupe: terra indígena Jaraguá" (2015), enquanto que Carvalho, Queiroz e Taís publicavam outro webdocumentário denominado "Parente guerreiro: luta e resistência indígena" (2015).

No ano seguinte ganhava as telas dos computadores e celulares "Visita às aldeias indígenas do Jaraguá" (2016), produção independente de Samuel Neuman, e "Ribeirão das Lavras" (2016) dirigido por Carvalho e pelo professor indígena Jam Jekupe.

Algumas das imagens de "Ribeirão das Lavras" foram feitas por Richard Wera Mirim, um jovem índio que, segundo Carvalho, participa das oficinas de cinema realizadas pela TI Jaraguá. "Conheço muitos guaranis que estão enveredando na área, o que é excelente", conta Carvalho, "o Richard tem um olhar sensível e domina técnicas de enquadramento muito bem", revela, "eu me sinto muito honrado em ter feito um filme com ele e com o professor Jam Jekupe".

Em 2016, contudo, seria quebrada a sequência de webdocumentários com o lançamento do longa-metragem "Avaxi Para'i: semente" (2016) produzido pela Travessia Filmes e dirigido por Vinicius Toro. Em julho de 2017, esse filme fora exibido no programa Cine Brasil, da TV Cultura.

Cena de "Avaxi Para'i", de Vinicius Toro
Cena de "Avaxi Para'i", de Vinicius Toro
E foi também em 2017 que a TI Jaraguá publicou o seu primeiro livro, em dois idiomas (Português e Guarani), e junto com ele um documentário em DVD, ambos intitulados "Nhande mbaraete: fortalecimento da história guarani" (2017).

Mais ou menos na mesma época, Carvalho e o amigo Caio Tupã Mirim produziram "Maino'i: Opy Pyau Itakupe" (2017), que aborda o processo de construção da casa de reza da aldeia Itakupe.

Por fim, "Ara pyau: a primavera guarani" (2018) produzido pela Laranjeiras Cinema e Cultura e dirigido por Carlos Eduardo Magalhães foi lançado e exibido na Tenda Cine da Mostra Aurora (vide primeira imagem deste artigo), em Tiradentes, Minas Gerais, uma das maiores mostras de filmes independentes do país.

"Os índios não precisam de cineasta branco para fazer filme", disse Magalhães em debate durante a Mostra Aurora, "eles têm muitos cineastas nas aldeias", completou. O diretor contou que o fato de os guaranis lhe encomendarem a produção de "Ara Pyau" foi um presente que ele ganhou.

Um webdocumentário sobre Taipas

Segundo a Prefeitura de São Paulo, Taipas é um bairro do distrito Jaraguá.

Em 2014, o lugar ganhou um documentário produzido durante oficina de vídeo realizada na Casa de Cultura Maestro Juan Serrano.

Ao todo, nove pessoas assinam como diretores da obra, que foi intitulada "Memória do bairro Parada de Taipas" (2014).

O Coletivo Salve Kebrada e o documentário "de dentro para fora"

Em 2017, o Coletivo Salve Kebrada liderado pelo historiador Rodrigo Gonçalves Benevenuto lançou o webdocumentário "Jaraguá!" (2017), com depoimentos de líderes comunitários acerca do distrito e de bairros adjacentes.

Benevenuto (de costas) e o rapper Pixote do Império Z/O. Imagem: frame de "Jaraguá!"
Benevenuto (de costas) e o rapper Pixote do Império Z/O.
Imagem: frame de "Jaraguá!"
Benevenuto, por sua vez, publicaria no mesmo ano a dissertação de mestrado "Lutas sociais, associativismo e redemocratização na periferia noroeste de São Paulo: Jaraguá, 1983-1988" pela Fundação Getulio Vargas (FGV) sobre a qual concedeu uma entrevista ao Jaraguá SP Post em que afirmava que as ideologias de esquerda e direita são feitas de fora para dentro e de cima para baixo e que os habitantes das periferias deveriam se articular mais em sentido oposto, isto é, "de dentro para fora".

O teoria de Benevenuto é colocada em prática em seu webdocumentário "Jaraguá!".

Os filmes do Jaraguá e a ausência de mulheres diretoras

Em geral, a maioria dos filmes e webdocumentários feitos no distrito foram dirigidos por homens.

Das obras citadas neste artigo, somente "Jaraguá: terra sem mal" teve uma mulher efetivamente mencionada como diretora.

"No meio audiovisual é bem complicado. É uma pena, mas é real" diz a jornalista Bianca Pedrina que morou alguns anos no Jaraguá, mas passou a criar documentários somente depois que deixou o distrito e foi morar em Carapicuíba.

Bianca codirigiu recentemente o documentário "Nós, Carolinas" (2017) produzido pelo coletivo "Nós, mulheres da periferia" e dirigiu "Trabalhadores da colheita da laranja de Duartina SP" (2017) produzido pelo Conlutas Central Sindical e Popular.

No distrito, vive a dramaturga Maria Shu e, diante disso, resta-nos perguntar: quando teremos também por aqui a presença de uma diretora de cinema?

Curiosidade: o dia em que um ex-morador do Jaraguá figurou em filme da Brooke Shields

Juracy Montenegro nasceu em 1960 em São Bernardo do Campo e mudou-se para o Jaraguá aos 9 anos.

Ele estudou no primeiro colégio do distrito Jaraguá, o Isabel Vieira de Serpa e Paiva, até os 14.

Na época, o homem conheceu e teve como professor de arte em miniatura o artista Oscar Blois que, por sua vez, fora retratado no documentário de Nuno César Abreu já mencionado neste artigo.

Aos 16, Montenegro passou a viajar pelo mundo e em uma dessas viagens (para Eilat) fora convidado a participar como figurante em um filme britânico-americano.

O filme em questão é o "Sahara" (1983) estrelado pela atriz de renome mundial, Brooke Shields.

Montenegro (de chapéu laranja, no canto esquerdo da foto) e a atriz Brooke Shields ao centro, em cena do filme "Sahara" (1983). Foto: acervo Montenegro
Montenegro (de chapéu laranja, no canto esquerdo da foto)
e a atriz Brooke Shields ao centro, em cena do filme "Sahara" (1983).
Foto: acervo Montenegro
Montenegro foi selecionado para atuar como figurante em uma cena no deserto de Negev.

A história desta breve participação do ex-morador do Jaraguá no cinema britânico-americano é retratada em um blogue de Canoa Quebrada (onde vive atualmente), "[...] quando se deu conta já estava no ônibus de filmagem rumo ao deserto de Negev, onde faria parte do filme Sahara com Brooke Shields", escreveu-se.

O que a produção cinematográfica do Jaraguá precisa para passar para o próximo patamar?

Nunca na história da produção de filmes do distrito houve uma superprodução. Talvez nem seja preciso. Para o cineasta diretor de "Atrás da pedra: resistência tekoa guarani", Thiago Carvalho, o importante é falar sobre o Jaraguá.

"Estamos dando passos calmos, conscientes e importantes para o registro de histórias do povo local", conta em entrevista ao Jaraguá SP Post, "estamos em um bairro histórico e ao lado de um povo originário", justifica a necessidade de produção cinematográfica.

Ele explica que tem focado na produção etnográfica, porém está aberto e disposto a realizar outros tipos de filmes com amigos e coletivos.

Quando perguntado sobre o que a produção cinematográfica local precisaria para evoluir para o próximo patamar, ele responde que ajudaria se houvesse mais apoio público e privado para o setor, "embora muitas vezes, com uma câmera DSLR, um tripé e um microfone básico direcional nós tenhamos conseguido transmitir uma mensagem clara e objetiva com nossos filmes", diz.

Além de patrocinadores e produtores, o cinema jaraguense também precisa de mais cineastas (diretores, editores, cenógrafos, etc.), de mais treinamentos especializados como os das oficinas de cinema da TI Jaraguá e da oficina de vídeo da Casa de Cultura Maestro Juan Serrano, mais mulheres participando da direção de filmes com ideias novas e criativas, mais equipamentos e equipamentos melhores.

E, neste contexto, fica a pergunta: seria demais sonhar com a criação de uma "Mostra de Filmes Jaraguá"? Um evento local para exibição e premiação de filmes capaz de incentivar a produção no distrito e regiões adjacentes?

O que é preciso para fazer um webdocumentário?

O básico para se produzir um filme são os atores, as câmeras, os microfones, os softwares de edição de som e imagem, uma trilha sonora, uma boa história para contar e um roteiro.

Além disso, é fundamental contar com uma equipe, "alguém que escreva o roteiro, outros que gravem as cenas, os que conduzam o áudio, os que pensem na luz (os diretores de fotografia), o montador, colorista e finalizador, além do diretor", informa Carvalho.

Carvalho diz que no campo do documentário frequentemente não se dispõe de tantos profissionais assim, então, o jeito é concentrar funções, "'Atrás da Pedra' foi feito em três pessoas com funções divididas, mas ainda assim tivemos que (cada um) fazer algo a mais. Já em 'Maino'i" tivemos a comunidade indígena trabalhando conosco. Teve gente no áudio, na câmera, na entrevista. Eu assumi a direção com mais tranquilidade, sem ter que me preocupar com outras funções", revela.

Uma câmera na mão e uma ideia na cabeça: temas do Jaraguá que merecem ser retratados

O Jaraguá conta com muitos temas que merecem ser retratados, além dos já mencionados neste artigo, tais como:
  • A Estrada Turística do Jaraguá enquanto polo cicloturístico do município de São Paulo. A via vai da rodovia Anhanguera até o topo do Pico do Jaraguá. Ciclistas de diferentes regiões da cidade e do estado de São Paulo trafegam por lá diariamente;
  • As cavas de ouro próximas ao Parque Estadual do Jaraguá;
  • O futebol de várzea da região;
Estes são apenas alguns exemplos. Com certeza há outros assuntos muito interessantes no distrito que podem ser transformados em documentários ou em filmes longa-metragem.

Filmes produzidos no ou sobre o distrito Jaraguá desde 1978 até 2018

Os filmes listados a seguir foram lançados entre janeiro de 1978 e fevereiro de 2018. Clique sobre os nomes para ver os teasers, o filme completo ou uma reportagem sobre:

Atualizações (filmes publicados após a produção deste artigo)

Os filmes da lista a seguir foram lançados depois da publicação deste artigo, isto é, após fevereiro de 2018.

Sobre o Autor:
Marinaldo Gomes Pedrosa Marinaldo Gomes Pedrosa é formado em Jornalismo pela UniSant'Anna. Vive no bairro Jaraguá desde 1976.

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