Bombeiro fotografa senzala do Casarão Afonso Sardinha e revela o que sentiu ao entrar no lugar

O bombeiro diretor do Corpo de Bombeiro Florestal Voluntário de São Paulo (CBFV-SP), Robson Maziero, fotografou com autorização da administração do Parque Estadual do Jaraguá (PEJ) na última quinzena de dezembro de 2017 alguns cômodos do Casarão Afonso Sardinha, dentre eles uma senzala que fica no andar de baixo da residência.

Parte da senzala do Casarão Afonso Sardinha, segundo Maziero. Foto: Robson Maziero
Parte da senzala do Casarão Afonso Sardinha, segundo Maziero. Foto: Robson Maziero

O Casarão Afonso Sardinha foi construído no sopé do Pico do Jaraguá em 1580 para servir de base para a extração de ouro realizada pelo escravagista, minerador e bandeirante, Afonso Sardinha (O Velho), nas décadas seguintes. Ao longo dos séculos, a residência pode ter sido utilizada como habitação por inúmeras outras pessoas, dentre as quais Albino Alves de Castro (português que tentou instalar uma estátua de São Paulo Apóstolo no alto do morro), homem que viveu ali durante 10 anos (de 1931 a 1941). Mais recentemente, de 1985 a 2005, o local foi a sede do Albergue da Juventude.

Entulhos deixados pelo Albergue da Juventude foram retirados do ambiente. Foto: Robson Maziero
Entulhos deixados pelo Albergue da Juventude foram retirados do ambiente. Foto: Robson Maziero

Confira a seguir o relato do bombeiro Maziero ao Jaraguá SP Post:
O lugar parece uma cela. Ele tem quatro paredes tão espessas que chegam a ter quase um metro de largura. Há uma grade de ferro antiga que separa os ambientes. Assim que entrei, me senti um tanto sufocado. Havia um ar pesado. No momento de fazer as fotos, o ambiente estava muito escuro e, por isso, tive a sensação de que aquela sala não tinha fim. Ela era como uma caverna infinita. Naquele instante, pensei em quantas histórias, quantos fatos, quantas coisas aquelas paredes teriam presenciado, quantas conversas, planos e torturas, quanto sangue teria rolado ali em favor da riqueza. Foi tudo isso o que me passou pela cabeça naquele breve momento em que fiquei lá dentro e me tornei uma pequena parte da história daquele casarão. Dizem ser um lugar assombrado. Ouvi ruídos estranhos, os quais algumas pessoas alegam que são as almas dos escravos que por lá passaram. Outros dizem que os ruídos se referem à alma de Afonso Sardinha aprisionada por todos os pecados que este cometeu em vida. Eu, contudo, só posso dizer que se trata de um casarão antigo e, portanto, de memória a ser preservada. Se ocorreram coisas ruins lá, acho que a história deve ser preservada para que tais fatos não ocorram novamente. Se, no entanto, há histórias boas, estas também devem ser preservadas para enaltecimento do nosso povo.
Há no local um tipo de banheira, mas não se sabe quando ela foi instalada. Foto: Robson Maziero
Há no local um tipo de banheira, mas não se sabe quando ela foi instalada. Foto: Robson Maziero
Detalhe externo do Casarão Afonso Sardinha. Foto: Robson Maziero
Detalhe externo do Casarão Afonso Sardinha. Foto: Robson Maziero

Acesse também o artigo "7 maravilhas antigas do bairro Jaraguá, em São Paulo" para saber mais sobre a técnica de construção, a quantidade de cômodos e sobre a época na qual o casarão foi construído, entre outras curiosidades.

Sobre o Autor:
Marinaldo Gomes Pedrosa Marinaldo Gomes Pedrosa é formado em Jornalismo pela UniSant'Anna. Vive no bairro Jaraguá desde 1976.

Comentários

  1. A História sempre foi contada pelo vencedor, mas hoje os descendentes de índios e os afrodescendentes têm acesso a registros históricos e sabem que nem tudo escrito nos livros didáticos é verdade. Além do “descobrimento” do Brasil, outras mentiras foram escritas pelo colonizador. O bandeirante, por exemplo, apesar de ser tratado como herói e de receber homenagens em monumentos e em nomes de ruas, foi antes de tudo um genocida. Entrava nos sertões à frente de uma comitiva armada e partia em busca de populações nativas. Ao encontrá-las, destruía aldeias, trucidava indistintamente homens, mulheres e crianças e aprisionava os sobreviventes, conduzindo-os - acorrentados - até os engenhos de cana-de-açúcar onde os vendia como escravos.

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  2. Há uma matéria bem cimpleta sobre o casarão nesse link

    http://www.saopaulominhacidade.com.br/historia/ver/9201/Casarao%2BAfonso%2BSardinha%2Be%2Bseus%2Bmisterios

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