Indaíz: 9 anos de resistência

Em 25 de julho de 2018, a banda de reggae Indaíz na qual sou vocalista, compositor e guitarrista base completou 9 anos de resistência. E para expressar minha felicidade com esse feito, apresento neste artigo a nossa trajetória. São 9 motivos para seguir acreditando. Vem comigo!

Show de 9 anos de Indaíz, no Jardim Rincão/Jaraguá. Foto: acervo Indaíz
Show de 9 anos de Indaíz, no Jardim Rincão/Jaraguá.
Foto: acervo Indaíz

2009 - O começo

Emocionado com tudo. Ter uma banda. Poder expressar todos os sentimentos guardados sem medo, sem receios. Apenas vontade de viver intensamente cada momento.

Morro de Taipas, nossa raiz. Era segunda, quarta e sexta-feira subindo a ladeira para ensaiar um sonho que se renovava a cada acorde e composição construída para desconstruir a cultura de que não podemos fazer do nosso jeito.

Desde o começo "trampando" músicas autorais, acreditando que nossa história tem valor.

(Agradecimento: Moises, baterista da banda Primeira Dama).

2010 - Morro de Taipas

A Banda desce o Morro de Taipas e começa a ensaiar no Jardim Rincão (Viela do Retão). Uma realidade diferente porque a banda começou a se aproximar dos moradores da favela. Cada ensaio era uma festa na viela, o que era algo muito bom para criar um vinculo com a comunidade, mas péssimo para ensaiar a banda. Perdemos a privacidade do Morro de Taipas.

Entretanto, conseguimos resolver esse problema saindo da garagem que era em frente da viela para um cômodo nos fundos da casa do Zazera. E até nos dias de hoje ensaiamos nesse mesmo local.

(Agradecimentos: José Quintino).

2011 - Gueto sem luz

Gravamos nossa primeira música em estúdio profissional e logo em seguida gravamos um vídeo clipe da mesma (dá uma olhada logo aqui abaixo). Deu um gás na galera da banda. Foi uma experiência muito boa para nós, que até o momento nem sabíamos como funcionava uma gravação.


(Agradecimentos: Verônica Cavalcante, Marco Beatrici).

2012 - Mudanças

A banda passa por uma renovação, troca de integrantes. É muito difícil manter a mesma formação por muito tempo. Quando a banda trabalha no alternativo sempre rolam mudanças e os integrantes que permanecem seguem firmes na luta.

2013 - Dificuldades

Em 2013, a banda quase acabou. Faltou pouco para essa história chegar ao fim. A maiorias dos integrantes se afastou. Eu fiquei sozinho na caminhada. Nesse período, compus essa canção que resume esse momento difícil:

TIRO NO ESCURO

Preciso de dinheiro/
Mas não preciso dele pra sonhar/
Muito menos para acreditar/
No objetivo que eu quero alcançar.

Pra aliviar a dor da luta eu luto mais/
Mesmo sozinho sigo com fé/
Sem a opção desistir minha ambição vai além/
Prefiro a dúvida, ela me faz pensar.

Sem medo de errar vou fazer/
E melhor do que tentar/
Não sou o dono da razão/
E nem tenho a pretensão de ser.

Minha vida/
É um tiro no escuro/
Eu sigo meu instinto/
Pra clarear meu futuro.

2014 - Álbum Favela

A realização de um sonho, uma luta que não foi fácil em nenhum momento. Naquele ano de 2014, a banda Indaíz nascida e criada em Taipas/Jaraguá conseguiria lançar um álbum que a mudaria de patamar. As letras e a qualidade do trabalho mostravam uma história real sem maquiagem, com a linguagem periférica que contava a história da região noroeste de São Paulo.

(Agradecimentos: Guto Gonzales produtor do álbum).

2015 - Coletivo Ocupa Pinheirinho

A banda chegou em um consenso que tocar é difícil, dá muito trabalho, mas mesmo assim é pouco. E por isso resolveu fundar o Coletivo Ocupa Pinheirinho juntamente com o Grupo AR2 e banda Infermus.

O objetivo era fomentar arte, cultura e lazer no território carente que vivemos. Paramos de só reclamar e decidimos tomar uma atitude. Assim, desde novembro de 2015 temos ocupado o centro de convivência Casarão Arte Livre todo último domingo de cada mês com Yoga, oficinas para crianças, Massoterapia, DJs, microfone aberto e o carro chefe: bandas underground tocando ao vivo na favela.

Banda Indaíz no Casarão Arte Livre 23ª Edição. Foto: Marinaldo Gomes Pedrosa
Banda Indaíz no Casarão Arte Livre 23ª Edição.
Foto: Marinaldo Gomes Pedrosa

2016 - Coletivo Atitude Punk

A banda se aproxima mais da cultura punk-periférica, tendo como referência o Coletivo Atitude Punk, que sempre fortaleceu a quebrada com eventos, apoio mútuo e solidariedade. Isso nos mostrou que devemos nos misturar para respirar a liberdade que teimam em nos roubar.

(Agradecimento: Marcelo - Espaço Cultural Libertário Fofão Rock'n Bar).

2017 - Show

A banda consegue tocar no Vale do Anhangabaú no Dia Municipal do Reggae SP. Foi o maior público para o qual a banda já se apresentou. Subimos no palco com uma bandeira com a estampa "JARAGUÁ É GUARANI" com o objetivo de reforçar a luta por demarcação das terras indígenas do nosso povo originário.


(Agradecimentos: Fórum do Reggae).

2018 - Resistência

Conseguimos pela primeira vez promover uma festa no Jardim Rincão sem apoio financeiro nenhum, somente com os equipamentos e a estrutura da banda Indaíz comprados com o dinheiro de shows.

Galera que compareceu no show de 9 anos da banda Indaíz. Foto: acervo Indaíz
Galera que compareceu no show de 9 anos da banda Indaíz.
Foto: acervo Indaíz
Toda comunidade chegou junto e ajudou na organização e fechamento da rua. Foi um dia muito especial em nossa carreira, pois conquistar o respeito da nossa quebrada não tem preço.

(Agradecimentos: Infermus, AR2, Gritos Ocultos, Masked Muchacho, Sacerdote Semantico, A Boca, O Mandruvá, Dj Tromp e todas e todos que encostaram na festa "Indaíz 9 anos de resistência").

Formação atual da Indaíz

  • Vocal: Sandro
  • Teclado: Marcelo Jah
  • Guitarra: Zazera
  • Baixo: Sóstenes
  • Bateria: Bob Dela Rua
  • Participação: JR AR2
Sobre o Autor:
Sandro Indaíz Sandro Indaíz é licenciado em Música pela Faculdade Carlos Gomes. Ele é vocalista na banda de reggae Indaíz.

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