Índios do bairro Jaraguá publicam livro sobre história e resistência guarani
Um grupo de representantes da Terra Indígena (TI) Jaraguá publicou, neste segundo trimestre de 2017, o livro "Nhande mbaraete: fortalecimento da história guarani". O lançamento aconteceu no final de maio, no CEU Parque Anhanguera e no CEU Perus; e no final de junho, na Biblioteca Brito Broca.
A obra conta com 143 páginas em formato brochura de 14 x 21 cm e foi publicada pela Trança Edições com apoio da Proac SP. Ela é acompanhada por um DVD com duas horas de documentários. Tanto os textos quanto os vídeos foram desenvolvidos em dois idiomas (na Língua Portuguesa e na Língua Guarani).
O livro e o DVD fazem parte de um projeto coletivo criado por mais de 40 índios (crianças, jovens e adultos) organizados em equipes de criação, escrita, tradução, filmagem, fotografia, desenho, edição e diagramação, sob a coordenação geral de Alcides Ribeiro Tupã Mirim. Sua produção começou em 2015 e terminou em 2017, tendo levado um ano e meio para ser concluída.
Pequeno em número de páginas, mas gigante em conhecimento e sabedoria guarani, "Nhande mbaraete" é um marco na história da TI Jaraguá por se tratar de sua primeira obra escrita e porque a escrita guarani só existe há apenas 40 anos.
Em "Nhande mbaraete", os índios do bairro Jaraguá abordam assuntos como a cultura, a educação, a política, a religião, o artesanato, a opressão e a influência da cultura dos não índios sobre os guaranis, a reivindicação e o uso da terra, as mudanças na forma de vida dos guaranis desde que os europeus passaram a colonizar o Brasil há mais de 500 anos até a atualidade onde a falta de espaço para plantar, caçar e viver os afrontam.
Os guaranis se tornaram poliglotas por necessidade. Para se defenderem e reivindicarem seu espaço no mundo, eles precisaram aprender a falar o idioma Guarani e o Português, por isso, a obra possui um capítulo making off, que expõe como o livro foi produzido e traduzido para as duas línguas.
"Nhande mbaraete" é leitura fundamental para os alunos, professores e educadores das redes pública e privada de ensino que desejam ir além do lugar comum do "Dia do índio" fabricado pela cultura dominante. Essencial para os índios guaranis e de outras etnias que querem se fortalecer e se desenvolver culturalmente, espiritualmente e socialmente no presente e no futuro.
Para adquirir o livro "Nhande mbaraete: fortalecimento da história guarani" é necessário se encaminhar até a Tekoa Pyau (Aldeia Nova), que fica localizada no encontro da Rua Antônio Cardoso Nogueira com a Estrada Turística do Jaraguá, ao lado da Galeria Narciza e em frente a um dos portões do Parque Estadual do Jaraguá (PEJ).
Chegando lá, o interessado deve chamar o índio Pedro Luiz Karai (que é um dos autores do livro). Para fins de identificação e distinção, Pedro mora na casa em cuja parede há o desenho de um peixe, que foi grafitado pelos canadenses do Essencia Art Collective.
O livro custa R$ 30,00 que devem ser pagos em dinheiro, pois não há máquinas para cartões de débito ou de crédito no local. Para mais informações sobre eventos de relançamentos convém acompanhar a fanpage "Nhande mbaraete" no Facebook.
Sobre o Autor:
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Capa do livro "Nhande mbaraete", que foi escrito em dois idiomas, o Português e o Guarani |
O livro e o DVD fazem parte de um projeto coletivo criado por mais de 40 índios (crianças, jovens e adultos) organizados em equipes de criação, escrita, tradução, filmagem, fotografia, desenho, edição e diagramação, sob a coordenação geral de Alcides Ribeiro Tupã Mirim. Sua produção começou em 2015 e terminou em 2017, tendo levado um ano e meio para ser concluída.
Pequeno em número de páginas, mas gigante em conhecimento e sabedoria guarani, "Nhande mbaraete" é um marco na história da TI Jaraguá por se tratar de sua primeira obra escrita e porque a escrita guarani só existe há apenas 40 anos.
Em "Nhande mbaraete", os índios do bairro Jaraguá abordam assuntos como a cultura, a educação, a política, a religião, o artesanato, a opressão e a influência da cultura dos não índios sobre os guaranis, a reivindicação e o uso da terra, as mudanças na forma de vida dos guaranis desde que os europeus passaram a colonizar o Brasil há mais de 500 anos até a atualidade onde a falta de espaço para plantar, caçar e viver os afrontam.
Os guaranis se tornaram poliglotas por necessidade. Para se defenderem e reivindicarem seu espaço no mundo, eles precisaram aprender a falar o idioma Guarani e o Português, por isso, a obra possui um capítulo making off, que expõe como o livro foi produzido e traduzido para as duas línguas.
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O processo de escrita e tradução dos idiomas Guarani e Português foi feito coletivamente com o auxílio de uma lousa. Foto: acervo TI Jaraguá |
Como adquirir o livro "Nhande mbaraete"
Para adquirir o livro "Nhande mbaraete: fortalecimento da história guarani" é necessário se encaminhar até a Tekoa Pyau (Aldeia Nova), que fica localizada no encontro da Rua Antônio Cardoso Nogueira com a Estrada Turística do Jaraguá, ao lado da Galeria Narciza e em frente a um dos portões do Parque Estadual do Jaraguá (PEJ).
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Casa do índio Pedro Luiz Karai, um dos autores do livro. |
O livro custa R$ 30,00 que devem ser pagos em dinheiro, pois não há máquinas para cartões de débito ou de crédito no local. Para mais informações sobre eventos de relançamentos convém acompanhar a fanpage "Nhande mbaraete" no Facebook.
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Marinaldo Gomes Pedrosa é formado em Jornalismo pela UniSant'Anna. Vive no bairro Jaraguá desde 1976. |
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