Livro "Morro Jaraguá: o senhor dos vales" expõe histórias inusitadas sobre o pico mais majestoso da cidade de São Paulo
Um dos poucos livros que possuem o bairro Jaraguá como assunto é aquele de autoria do historiador Wilson Alves de Castro intitulado "Morro Jaraguá: o senhor dos vales", o qual teve sua primeira edição publicada em 1998.
Wilson, para quem não sabe, é filho de Albino Alves de Castro (1903-1984), português que veio à cidade de São Paulo em 1929, morou por 10 anos em uma das 7 maravilhas antigas do distrito, o Casarão Afonso Sardinha (de 1931 a 1941), e teve a ideia de construir uma estátua ao apóstolo Paulo no alto do Pico do Jaraguá, o que gerou uma lei que nunca foi cumprida.
Conta o blogue "Don Queixote Vassourinha" que, aos 6 anos, Wilson se perdeu da família no Parque da Água Branca, o que o levou a viver na rua com outros meninos e, posteriormente, no porão da igreja do pátio do colégio Álvares Penteado, onde passou a estudar. Quatro anos mais tarde, ele vencera um concurso na escola que estava sendo visitada pelo pai do político Jânio Quadros, o Sr. Gabriel Quadros, que o levou para morar consigo. Só aos 30 anos é que Wilson reencontrou sua família original.
Tendo sido criado por políticos, Wilson herdou deles a prática de se envolver em reuniões, eventos e ações sociais de diferentes tipos. Também por isso ele permaneceu (até os dias atuais) engajado nas questões que envolvem o Pico do Jaraguá. É daí que parte a autoridade para ele ter publicado a já referida obra.
A edição que tenho em minhas mãos do livro "Morro Jaraguá" foi adquirida junto ao autor em 2012 em um almoço na Praça da Sé, em São Paulo, quando o próprio Wilson me contou que havia impresso 10 mil cópias de forma independente.
A obra conta com 96 páginas, nas quais Wilson intercala textos de sua própria autoria com trechos de livros e com matérias da Folha da Manhã, Diário Popular, Pirituba News, Jornal da Tarde e Revista Geográfica, algumas delas veiculadas há quase 80 anos.
Apesar da mistura de formatos, o livro possui uma certa ordem. Ele começa abordando dados gerais, em seguida passa para dados históricos que se referem à colonização do Brasil e ao uso do Pico do Jaraguá como "bússola" pelos Bandeirantes que, em suas idas e vindas do planalto para o interior Paulista, usavam o morro como referência geográfica.
Na sequência, Wilson expõe os decretos que viabilizaram a compra da Fazenda Jaraguá pelo Governo, a consequente transformação do local em ponto turístico, a ideia da construção do monumento ao São Paulo Apóstolo e outros inúmeros projetos inacabados.
A obra não trata em si especificamente sobre o bairro Jaraguá, mas reconstrói uma história que a população em geral desconhece e que é parte fundamental para entender a origem e desenvolvimento do distrito.
O livro pode ser acessado gratuitamente a partir de diferentes bibliotecas de São Paulo ou comprado diretamente com o autor, com o qual é possível falar a partir dos meios de contato disponíveis no site Pico Jaraguá TV Cine Cultura.
Para saber mais sobre o maior dos projetos inacabados do local leia o artigo "Lei abriu crédito para construção de estátua de 75 metros ao apóstolo Paulo no Pico do Jaraguá, mas a Globo impediu o projeto".
Sobre o Autor:
Capa do livro "Morro Jaraguá" de autoria de Wilson Alves de Castro |
Conta o blogue "Don Queixote Vassourinha" que, aos 6 anos, Wilson se perdeu da família no Parque da Água Branca, o que o levou a viver na rua com outros meninos e, posteriormente, no porão da igreja do pátio do colégio Álvares Penteado, onde passou a estudar. Quatro anos mais tarde, ele vencera um concurso na escola que estava sendo visitada pelo pai do político Jânio Quadros, o Sr. Gabriel Quadros, que o levou para morar consigo. Só aos 30 anos é que Wilson reencontrou sua família original.
Tendo sido criado por políticos, Wilson herdou deles a prática de se envolver em reuniões, eventos e ações sociais de diferentes tipos. Também por isso ele permaneceu (até os dias atuais) engajado nas questões que envolvem o Pico do Jaraguá. É daí que parte a autoridade para ele ter publicado a já referida obra.
A edição que tenho em minhas mãos do livro "Morro Jaraguá" foi adquirida junto ao autor em 2012 em um almoço na Praça da Sé, em São Paulo, quando o próprio Wilson me contou que havia impresso 10 mil cópias de forma independente.
A obra conta com 96 páginas, nas quais Wilson intercala textos de sua própria autoria com trechos de livros e com matérias da Folha da Manhã, Diário Popular, Pirituba News, Jornal da Tarde e Revista Geográfica, algumas delas veiculadas há quase 80 anos.
Apesar da mistura de formatos, o livro possui uma certa ordem. Ele começa abordando dados gerais, em seguida passa para dados históricos que se referem à colonização do Brasil e ao uso do Pico do Jaraguá como "bússola" pelos Bandeirantes que, em suas idas e vindas do planalto para o interior Paulista, usavam o morro como referência geográfica.
Na sequência, Wilson expõe os decretos que viabilizaram a compra da Fazenda Jaraguá pelo Governo, a consequente transformação do local em ponto turístico, a ideia da construção do monumento ao São Paulo Apóstolo e outros inúmeros projetos inacabados.
A obra não trata em si especificamente sobre o bairro Jaraguá, mas reconstrói uma história que a população em geral desconhece e que é parte fundamental para entender a origem e desenvolvimento do distrito.
O livro pode ser acessado gratuitamente a partir de diferentes bibliotecas de São Paulo ou comprado diretamente com o autor, com o qual é possível falar a partir dos meios de contato disponíveis no site Pico Jaraguá TV Cine Cultura.
Para saber mais sobre o maior dos projetos inacabados do local leia o artigo "Lei abriu crédito para construção de estátua de 75 metros ao apóstolo Paulo no Pico do Jaraguá, mas a Globo impediu o projeto".
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Marinaldo Gomes Pedrosa é formado em Jornalismo pela UniSant'Anna. Vive no bairro Jaraguá desde 1976. |
Marinaldo, bom dia.
ResponderExcluirOnde eu conseguiria uma cópia do livro?
Obrigado!
Olá, Pedro. Creio que só em bibliotecas como a Mario de Andrade. Talvez você encontre um exemplar na biblioteca do CEU Pera Marmelo.
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